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VÍDEO DO DIA

Finalmente a final


Você não sabia, mas a verdade é que adiaram a final da Copa de 2014 pra domingo 17 de abril de 2016 às 14h em Brasília/DF. 

Já que desde 2014 o povo exigia sua catarse coletiva tão frustrantemente sonegada, finalmente conseguiu. Está provado: esse é um país de apaixonados. 

Sabe aquele grito de vitória que ficou preso? Agora ele sai. E aquela lágrima que nem rolou por causa do espanto frente ao 7X1 (in)piedoso dos alemães? Agora ela será pranteada. 

O jogo vai ser duro, disputado e cheio de jogadas horríveis: faltas, cartões amarelos, pênaltis cavados, expulsões... Pra se ter uma ideia, em função de evitar brigas entre os torcedores arruaceiros, vejam só, ergueram um "muro da vergonha" cortando de fora a fora o estádio. 

O juiz, sabe-se muito bem, é o mais ladrão de todos. 

Os comentaristas já fazem seus prognósticos, e os apostadores arriscam altas quantias no time do coração, sem deixar de fazer uma fezinha no outro time, claro, pois o bom apostador sempre precisa ganhar o seu. 

E os cartolas? 

Esses ninguém viu, ninguém vê. Mas é bem provável que já saibam até qual vai ser o placar final. E com toda certeza são os únicos que vão lucrar muito, não importando quem leve a taça pra casa.  

No campo espera-se algum drible, algum passe genial, algum gol de placa pra deixar gravado na história. 

Mas os jogadores escalados para a peleja, ambos os times, estão desacreditados e não empolgam as arquibancadas. No máximo pode aparecer um ou outro torcedor fanático aqui ou ali gritando juras de amor, mas com certeza será encarado como idiota. 

Ex-craques afirmam abertamente em mesas redondas televisivas: "esses dois times aí não mereciam disputar Copa, muito menos deveriam estar numa final tão importante".   

Claro, sempre pode surgir um novo craque, uma revelação com jogadas individuais e decidir. Mas até isso é dificultado pelos dois técnicos: trapalhões, teimosos e sisudos. 

A TV, como sempre, vai transmitir tudo ao vivo via satélite fazendo de conta que está ali para uma cobertura jornalística "imparcial". Mas todos já conhecem seu lado, seu time. Sabem também que ela comprou a transmissão por milhões, mantendo-se como uma espécie de cartola maior: decide o horário, interfere na escalação, endeusa esse, demoniza aquele e até tenta manipular o jogo em campo. 

É um absurdo. 

Como você notou, nessa final tudo será como sempre. Mas há um fator novo e especial nesse jogo ao qual vale darmos atenção: dessa vez a taça não será aquela de ouro carregada pelo capitão do time. 

A taça é a nossa democracia, aquela que todos devemos carregar e ostentar com o maior zelo do mundo. 

Observando o clamor das torcidas organizadas, eu, que nem gosto de futebol, só peço para que ela (a democracia) saia ilesa dessa emocionante pelada. 

Quando soar o apito final na boca suja do juiz ladrão, o placar ilumine a utopia: 

QUE O POVO SEJA O VENCEDOR. 



Ama a vida e segue!