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Música de carnaval

Meu "gosto", minha lista de "coisas boas", é (ou deveria ser) insignificante para as outras pessoas. 


Deveria ser assim com o gosto de todos!


Mas invariavelmente tentamos impor nossas escolhas aos demais. Agimos como crianças mimadas que insistem em ter suas vontades atendidas. 


Quando percebemos ser em vão essa impostura, já que cada um é (ou acredita ser) rei de suas vontades, o que fazemos?


Passamos a criar "valores morais" que justifiquem o nosso gosto em detrimento do gosto dos outros. A partir daí, os que ficarem de fora passam a ser "imorais". 


Mas a estética é um ramo da filosofia e não da moral. Ninguém deve ser considerado imoral por ouvir (ou deixar de ouvir) isso ou aquilo. 


Esse debate é velho, assim como também tende a ser estupidamente elitista, presunçoso e arrogante. 


Tipicamente "intelectual" (as aspas são para sublinhar que o intelecto não é um "bom" em si), também é 100% inconsistente. 


Em música, não há nada - absolutamente nada! - que torne superior, nem inferior portanto, um determinado estilo ou forma em comparação a outros  estilos e formas. 


Sob a luz da razão, música boa é, meramente, a que você gosta. É apenas uma escolha pessoal. Só e nada mais. 


Frustrante?


Acostume-se a isso. Ou seja apenas mais um tolo de casaca nos trópicos gritando ao vento. 


Talvez, no seu íntimo, você esteja se perguntando: "se essa música esquisita que sempre ouvi não é superior a música tão divertida e fácil (e isso é fato) do populacho, então pra que a estou ouvindo..."


E essa talvez seja a questão relevante: você está ouvindo música pra se autoafirmar perante a sociedade. Música, nessa infeliz relação, é apenas mais uma grife consumista. 


Descubra outra forma de se relacionar com a música: um simples deleite!


Barroco, clássico, romântico, dodecafônico, jazz, free jazz, fusion, rock, heavy metal, bossa nova, baião, funk (carioca ou da china), brega...


Tudo isso é música! Queira você ou não. 


Música da boa, música da ótima. Música da diversidade cultural humana. 


E todas essas formas são de alta cultura. 


São grifes também, claro. O truque é pegar a(s) sua(s) e respeitar as escolhas alheias.


Você sempre vai poder rir deles, mas é idiotice se achar especial só por gostar de sorvete de baunilha.  


Ninguém é nem será melhor por ouvir Arnold Schenberg (1874 - 1951). Não seria melhor nem se compreendesse Arnold Schoenberg. Aliás, se fosse o próprio Schoenberg, nem assim seria "melhor" que ninguém. 


As possibilidades sonoras são infinitas. Não vamos restringir a diversidade a uma ou a outra grife. 


Música é tudo música. 


E fim de papo!


Bom carnaval.