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VÍDEO DO DIA

Contos reais de um violinista #1




Foi assim...

Havia um violino e três aprendizes: Oziel meu irmão, Zé nosso amigo e eu mesmo. 

O violino parecia ter sido "esculpido" a base de golpes de facão. Tinha um som de porta rangendo. 

Eu praticava pela manhã, Oziel a tarde, e aos finais de semana o violino era levado para casa de Zé. Mas eu acho que este nunca praticava, a julgar pela sua forma quase emblemática de tocar: uma desafinação até hoje incomparável. 

Como não havia loja de instrumentos musicais na Feira de Santana de 1984, a gente não podia quebrar nenhuma corda. Mas elas quase que se arrebentavam ao mais leve toque das crinas do arco. 

Um dia, às vésperas do teste para entrar na "orquestra" (na verdade era uma bandinha bem peculiar...), a corda explodiu pra longe do violino sob meu queixo.  

"E agora, meu Deus?", pensei tremendo. 

Não estava bem acostumado a trocar cordas e, pra piorar, só havia um envelope daquela terrível "mizinha" (a corda mais fina e frágil). 

Nós poderíamos ficar de fora dos cultos noturnos por mais, sei lá, um ano... E a culpa era minha. 

Como eu era um menino beato, resolvi orar (rezar) antes de tamanha aventura. 

Dobrei os joelhos, cruzei os dedos em sinal de súplica e, olhos fechados, pedi ajuda ao sobrenatural.

Levantei da prece e, cheio de fé, abri o envelope. 

Aquela foi a única vez na minha vida em que encontrei duas cordas entrelaçadas numa mesma embalagem. 

É, foi assim!

Ama a vida e segue!