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VÍDEO DO DIA

Depois do gás lacrimogêneo, a cortina de fumaça

A mídia iniciou o processo de "conscientização" da sociedade. Os especialistas vão dizer que estamos a beira da anarquia completa. Os artistas famosões irão vestir roupas brancas e pedir paz ao povo "rebelde". A igreja irá convocar seus fiéis para muitas e muitas vigílias fraternais. Os medrosos e acomodados irão fazer cara feia e entortar os narizes enquanto afirmam "fazer caminhadas tudo bem, baderna não - sou contra tudo isso". 

Resultado: os espíritos são domados e se aquietam. Tudo volta ao normal com o povo no devido lugar de capacho. E viveremos (in)felizes para sempre!

Será?

O fato é que mesmo quando as ruas estão tomadas por multidões a polícia deve continuar fazendo o trabalho ao qual se destina: proteger o cidadão e a cidadania. É o que acontece nos carnavais, quando os baderneiros também aparecem. Não há novidade nenhuma na presença de delinquentes que se apropriam do ajuntamento de pessoas. Basta nos lembrarmos da última Virada Cultural. Havendo  delinqüentes e baderneiros infiltrados (é impossível não haver, em se tratando de um país tão desigual) a polícia tem que encontrá-los e encaminhá-los para que a justiça seja feita, e não sair atirando a esmo como se todo mundo de repente passasse a ser do mal: polícia serve (deveria servir) para proteger e assegurar os direitos democráticos da comunidade. As badernas que estão ocorrendo, para assombro (ai que novidade) da imprensa, são até menores do que as que acontecem em certos jogos de futebol. Ou será que vivíamos no mais pleno paraíso?

A questão parece até esquemática. Imagine os coronéis acertando com os governadores: "excelência, a gente some das ruas e deixa esses manifestantes cretinos sozinhos, daí os vida-tortas começam a saquear o comércio e a classe média vai nos implorar pra voltar. Aí a gente desce o pau, prende uma meia dúzia e bota todo mundo pra casa com o rabo entre as pernas". "E os delinqüentes, coronel?" "Ah, eles continuarão por aí, como sempre". 

 A verdade é que o máximo que pode fazer o cidadão de bem que está na rua exercendo seu direito democrático, quanto aos delinqüentes e baderneiros, é denunciá-los a polícia e aos meios de comunicação, como faria em qualquer outra situação. E é isso aí mesmo: o cidadão pode e deve criticar polícia, imprensa e políticos - instituições - e ainda assim continuará tendo direito pleno de usar todos os serviços referentes. Imprensa, polícia e governantes não estão nos fazendo favor algum, estão é faltando com suas obrigações e é por isso que todos estão entrando no "vaiaço" das ruas. 

E fim de história - delinqüente existe todos os dias nas ruas desse país. O que nunca existiu foram manifestações imensas contra o péssimo estado das coisas (inclusive contra a violência) as quais estamos expostos eternamente. 

Pensemos nisso antes de nos acovardarmos.