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VÍDEO DO DIA

20 primaveras, verões, outonos e invernos


Há cerca de três anos, eu estava em mais um dia de intermináveis "check-ins" num desses muitos aeroportos brasileiros. Ao lado de um amigo, falava dos diversos perfis de relacionamentos amorosos. Do ponto de vista dele, namorar uma pessoa com idade muito menor era um tremendo erro: conflitos e mais conflitos garantidos. Enquanto isso, eu dizia que era preciso avaliar cada caso, pois nada deve ser visto assim, tão rigorosamente. Mas eu também achava que não teria mais paciência para namorar alguém na faixa dos 20 anos.

Algum tempo depois, resolvi dar uma oficina de violino. Eram dez alunos, quase todos entre 17 e 20 anos. Dentre eles e elas havia uma mocinha, Lígia, que chegou para a primeira aula toda desajeitada e desalinhada, após tomar uma dessas chuvas de fevereiro. Eu achava graça do fato dela nunca me encarar, embora mantivesse um leve sorriso insinuante no canto da boca.

A essa altura, eu já estava certo, até meio influenciado em conversas como aquela que tivera com meu amigo, de que só namoraria uma mulher acima dos 25 anos. E nem de longe desejaria paquerar uma aluna, ainda que eu não tivesse nenhuma restrição moral quanto a isso. Certo é que preferia ficar longe de prováveis dores de cabeça.

Mas quem sou eu para me opor tanto assim às forças do inevitável?

Numa das derradeiras aulas, Lígia, que aliás, era a única aluna de violão, levou um livro do meu filósofo mais querido, Sêneca. Segundo ela, sempre carregava algo assim para ler no metrô. A partir daí passei a vê-la com um afeto especial e fui descobrindo que, além da filosofia, ela tinha valores éticos e morais que são fundamentais também para mim.

Essa nossa compatibilidade me levou a convidá-la a fotografar uma das minhas WebCanjas. A partir dali, não passamos nem mais um dia sem falarmos um com o outro, sem cuidarmos um do outro, sem rirmos um com o outro ou um do outro.

Felizmente eu estava certo, e não meu amigo: cada caso deve ser visto isoladamente.

Minha namorada nasceu 21 anos depois de mim. E eu nunca estive com ninguém antes dela em tamanha sintonia de afeto, de pensamento, de ideais, de desejos, etc. e tal.

Vivi 39 anos aprendendo, esquecendo o aprendido, reaprendendo; entre lutas, derrotas, vitórias, amores e desamores... Só então a encontrei, 2 anos atrás, pronta para me ensinar tanto, em seus tenros 18 anos: sua calma, sua paz, sua honestidade, sua voracidade por ser livre, sua curiosidade, sua generosidade... Tudo nela me ensina, me instrui, me destrói e me reconstrói muito melhor e ávido por melhorar.

O bizarro do preconceito se revela quando nos deparamos com um fato (basta um) que o negue.

"Certezas" fajutas como a que regulamenta, digamos, qual deva ser a diferença de idade ideal para se apaixonar por alguém são o bizarro do bizarro do preconceito torpe.

Minha Li(nda) perfeita, sigamos assim: descrentes dos pobres que destoam do amor; alinhados ao pacto natural que nos liberta pra dentro um do outro.

Feliz aniversário: que todos os anjos, demônios, mitos, dúvidas, crenças; toda fé, ceticismo... Todas as forças ( inclusive a sua e a minha) te dêem vida longa, feliz e saudável.

Brindemos aos céus!

Te amo, minha amiga eterna.

Galldino