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VÍDEO DO DIA

O lodo e a flor - poema de Galldino. Leiam!

BAIXE DE GRAÇA!











CURTA!

Odores magníficos lançados daquele abismo de pétalas infinitas iam tocar o horizonte azul
Beijavam o sol poente e mamavam os seios da lua caudalosa, branca e repleta. Cheia.


Ah, faz muito tempo, existiu um roseiral.

Mas veio um terremoto em 1223 d.A (depois do Amor)
E dele um terrível rombo nasceu no centro do paraíso onde se plantara a derradeira rosa virginal
Caiu então uma chuva escura, ácida, fria, acre e cheia de granizo
Viu-se dali uma geleira na curva outrora mais linda, onde trovadores compuseram os primeiros madrigais

Por derradeiro, abateu-se um ciclone, ou era um furacão, ainda é incerto jurar...
Só sabemos que da veemente ventania deu uma seca, uma erosão, uma profunda devastação

Já eram rosas, doce frescor aromático... Foram-se também sonhos pueris e horizontes magistrais.

Só que, engraçado, nada morre pra sempre, como atestam os crédulos e verdadeiros amantes

Num dia sem graça especial nem nada que lhe chamasse a atenção despontou como do além uma boa alma

Cabelos soltos, olhos rasos e ouvidos mocos aos que lhe duvidavam assim:
“Não há nem haverá jamais beleza nem motivo pra recitativos líricos ou pra cantantes”

Teimosa, num último montinho ínfimo e tímido de terra úmida deitou-lhe, essa lindeza, semente vazia

Por falta de água ela salivou sobre a areia estéril
E salivou, e salivou, e salivou... E mais outras vezes salivou como sempre fazia.

Tomada por louca, certo dia a criatura santinha viu saltar um ramo esverdeado do chão

Chamou-lhe de “atração”
Que deu folhinhas de “afinidade”
Donde saíram olhinhos de “admiração”
Vindo dali botões de frágeis “afetos”
Desabrochando numa tamanha “excitação”

Que só poderia rebentar-lhe, finalmente, um suntuoso “amor” de perdição

Ora, vejam: do imenso lodo, mais forte, decidido e, agora sim, divino:

Eis o roseiral!
Imenso, florido e eterno roseiral...