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Twítticas - a história de um projeto musical. Ou: a jornada do músico solitário.

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Em 2010 decidi fazer meu segundo projeto musical. Chamo de "projeto" por falta de nome melhor, já que nem posso chamar de CD, a combalida mídia em que ainda armazenam-se canções. Parti do pressuposto de que antes de fazer meu repertório tornar-se um acrílico redondo e venal (às vezes mais, às vezes nada...) deveria ter a devida noção de que cada canção encontraria uma palavra chave nessa jornada: convergência.

Afinal, de que valeria tornar público algo que não tocasse o público ao qual se destina? Muito menos valeria a pena sair por aí a cantar algo que soasse aos meus ouvidos como um incômodo. Assim, era preciso convergir: achar o ponto de união entre o que ouço-toco e o que aqueles que procuro ouvem e se deixam tocar.

O ponto dessa união era, percebi, a emoção e o intuitivo. Nem racional, nem irracional. Mas "arracional": saber que é preciso sentir além do saber.

A primeira necessidade que notei foi a de falar a língua do meu tempo. Usar a matéria prima ao meu redor, ainda que para fazer canções com alma poética. Coloquial sem ser banal. Cotidiano sem ser trivial.

Isso me levou, invariavelmente, à comunicação da internet: tanto conteúdo, e tão rapidamente processado, exigindo dinamismo fez surgir a mímica da mímica, o Twitter.

Passei então a usar essa ferramenta como padrão e fôrma das canções. E disso surgiu o nome "Twítticas - a poesia concisa do contemporâneo". É claro que o trabalho não se resumiria ao twitter. Este apenas entraria como mais uma das metáforas que eu me propus usar.

E foi um desafio: fazer canções bem estruturadas, com boas rimas, usando figuras de linguagem apropriadas e com mensagens coerentes; nada jogado só pra encher lacunas; nada, muito menos, abandonado por falta de inventividade ou espaço. Mas tudo dentro da exígua fôrma do contemporâneo.

O resultado, logicamente, não poderia soar repetitivo. E pra evitar isto, repensei a forma das canções (estrofe, refrão...) e fiz agrupamentos dinâmicos, além de versões em inglês e espanhol para alguns trechos das letras.

Ainda faltavam os arranjos. Segui o modelo conciso, aí também, e disse "não" ao exibicionismo desnecessário.

As estruturas foram devidamente montadas em células rítmicas e frases em ostinatos cuidadosamente compostos de forma que não cansassem o ouvinte mas, isso sim, o embalasse confortavelmente. Cogitei a música eletrônica como modelo. Mas não queria a sonoridade "dura" das pistas. Então fiz às vezes de percussões e baterias em vocalizações, ao estilo "beatbox".

A obra, se me permite chamar assim, tem citações da grande poetisa portuguesa Florbela Espanca e das Sonatas e Partitas de J.S.Bach, como pontes da tradição consagrada até nós. Citações essas que fazem do repertório uma única peça, uma espécie de suíte "galldinística", em que uma música se transforma na outra.

O desejo de fazer um CD assim me veio de uma sinfonia que ouvi há muito tempo. Nela um dos movimentos não é interrompido, como regra geral, e irrompe no seguinte. O que me moveu também nesse intento foi o disco "Vibrator", montado semelhantemente com colagens entre as canções, e que me fez ouvir milhões de vezes Terence Trent D'arby.

Posso dizer convicto que Twítticas é complementar ao meu primeiro CD, OctOpus. Este tem em sua construção engenhosa o alicerce do que agora lanço na rede: cada nota foi milimetricamente pensada, experimentada e só entrou na gravação após ser ouvida mil vezes na pauta.

O resultado desses arranjos é um songbook virtual que em breve disponibilizarei aqui. Algo pouco usual, devo crer. Além disso, cada instrumento ou sessão da gravação será jogado na rede em mp3, de forma que todo material será aberto aos que tiverem interesse.

Me envolvi completamente nesse projeto durante os dois últimos anos: de montar o conceito, de compor cada música, de fazer todos os arranjos, de gravar instrumento por instrumento, de cantar cada voz, de fazer boa parte da produção em um Mac, de divulgar nas redes sociais cada etapa em vídeos e etc. e até da honrosa tarefa de convidar as participações super especiais: tudo só me deu prazer. Um prazer que o dinheiro não paga, com o perdão da frase feita.

Agora eis um resultado único. Como o cafezinho da vovó: Twítticas (e digo sem falsa modéstia, arrogância nem tolo temor) SÓ EXISTE UM!

Dia 10/2/12 à partir das 10:00 será o momento de lançar ao universo cibernético "@Twítticas - a poesia concisa do contemporâneo".

Agora é com você: ouça, baixe e compartilhe!
É bom e de graça.

#Ama_a_vida_segue!