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Olá, Maria José da Silva

Deu no Estadão

Quando a funcionária pública Maria José da Silva, de 69 anos, auxiliar de serviços gerais em uma estatal, foi ao banco conferir o pagamento, surpresa: não havia recebido um tostão. Ao reclamar na empresa, descobriu que o pagamento havia sido cancelado porque, para o sistema de processamento de dados, ela havia morrido. “Tive de provar que estava viva, com exame médico e tudo”, conta a mulher, hoje aposentada.
Essa é uma das confusões de que podem ser vítimas pessoas com nomes muito comuns. Maria José da Silva é o nome completo mais usado no Brasil, segundo pesquisa feita pela proScore, empresa de gerenciamento de informações e análise de crédito, a partir de um catálogo com aproximadamente 165 milhões de Cadastros de Pessoa Física (CPFs). “Em 2010, existiam 190 milhões de CPFs no Brasil, mas nossa base de dados reúne só aqueles que estão ativos no comércio”, afirma Mellissa Penteado, diretora de Marketing da proScore.
O nome mais comum no Brasil é Maria – são 13.356.965, indica a pesquisa. Em segundo lugar está José, com 7.781.515, um número que representa pouco mais da metade do primeiro lugar. “Todos os nomes mais usados têm origem bíblica”, destaca Mellissa. A pesquisa considerou apenas o primeiro nome, desprezando nomes compostos, como Maria José.
Além da aposentada que precisou comprovar que estava viva, outras 72.463 brasileiras chamam Maria José da Silva. A maioria (13.404) mora no Estado de São Paulo.
Entre as 4.687 que moram no Rio, está outra aposentada. “Nasci com o cordão umbilical enrolado no pescoço, arriscada a morrer durante o parto. Como sobrevivi, minha mãe, que era muito católica, decidiu me chamar Maria José”, conta a mulher, de 73 anos.
Ela tem mais cinco irmãs – três chamam Maria, com outros nomes compostos, e duas têm exatamente o mesmo nome: Josefa Maria da Silva. “Para não confundi-las, a gente chama uma de Zeza e outra de Zita”, conta. Josefa, por sinal, é o 31.º nome mais comum no País, a maioria delas (99.545) em Pernambuco.
Por causa do nome comum, a massoterapeuta Maria José da Silva, de 50 anos, já teve problemas no médico. “Fiz um exame ginecológico e, quando fui buscar, me entregaram um de ortopedia. Reclamei que não era esse que havia feito, mas ainda insistiram que eu estava enganada.”
Outras Marias também narram confusões por causa do nome. “Um dia descobri que havia um monte de dívidas em meu nome, mas era outra pessoa que tinha o mesmo nome e copiou meu CPF. Demorei seis meses para provar que aquelas contas não eram minhas”, diz a assistente de operação Maria das Graças da Silva, de 54 anos.
Maria Izabel Eva, de 59 anos, diz que apesar de duas irmãs também chamadas Maria, nunca teve problemas como o nome.