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VÍDEO DO DIA

Rir do "ponderismo" arrogante.



Conhecem Luiz Felipe Pondé? É um articulista da Folha de São Paulo.

No seu blog, outro dia, ele disse ser PhD e me pareceu sugerir ser um dos detentores da pedra filosofal, do saber supremo. Pareceu acreditar que devemos perguntar sempre pra "sábios" como ele o que é melhor pra nossas próprias pobres vidas ignorantes.

Em um texto seu mais recente, Pondé demonstrou entender também que pobres são preguiçosos. Daí a explicação do fenômeno pobreza: excesso de gente levando a vida sem se esforçar o bastante. O escriba também garantiu ser um cara feliz e cheio de sucesso, pelo motivo de todos como tal: muito trabalho duro.

Hum…

Vamos tentar entender o raciocínio "lógico":

Milhões de pessoas que saem de casa às 4h e só voltam lá pelas 22h, trabalhando em empregos que pagam muito mal e que não deixam tempo pra ler, pra ir à teatros-museus-cinemas, pra praticar algum lazer com amigos e familiares, pra ir à igreja rezar, pra fazer reflexões sobre o sentido da vida (comer-amar no espaço entre acordar-dormir?) e nem ao menos pra transar em paz, enfim, esses milhões de indivíduos, pela ótica "ponderiana" (o pensamento de L.F.Pondé), formariam um "tipinho" de gente que não deve escolher o que é melhor pra si mesmos por serem sem instrução e levarem uma vida bem preguiçosa.

Percebe? Ah, não entendeu nada?

É que se trata de uma lógica complicada pra nós: só os geniais "PhDistas" da escola "ponderiana" compreendem. Do alto de sua sapiência intelectual de quem escreve "livros cabeça" (como se gaba), ele nos ensina: pobre é pobre por querer ser pobre. Pior: por MERECER ser pobre!

E pra quem ele ensina isso?

Pra nós, a classe média que sabe ler, mas precisa de "Pondés Pensantes" que digam quem deve ser odiado e desprezado. Sabe qual o motivo dele crer que a classe média "precisa" dos "Pondés Pensantes"? Esta: a classe média também vive na preguiça. Ora, se não fosse assim já estaríamos na alta classe, não é mesmo? Logo, somos só um pouco menos preguiçosos que os pobres. E a diferença real é o cartão de crédito - ou a navalha, como disse Cazuza.

Ficou mais lógico agora: saindo dos "Pondés Pensantes", somos todos escória, ou "meio-escória".

Hum...

Mas, vejamos bem, se nós acatarmos as "evidências ponderianas" como suma-verdade, poderemos ser "quase parecidinhos" com os "Pondés Pensantes". Claro, não beberemos do seu vinho nem iremos às suas festas, que aí já é querer demais. Talvez um aperto de mãos com os corpos distantes o suficiente na foto? Até dá, vai...

Que tal? Vai mudar sua vida pra melhor acatar o "ponderismo" e odiar os pobres, querido quase-pobre da banda quase-larga?

Pondé se orgulha de ser rico e sabidão. E nós com isso?

Eu prefiro ser uma "besta" atrevida ao dizer que, historicamente, são esses pobres e quase-pobres (classe média) preguiçosos com suas vidas voltadas apenas ao labor escravo ou quase-escravo os responsáveis pelo sustento de classes cheias de gabolices, "chiquerrices", armas crudelíssimas e "Pondés Pensantes"!

Ora, esses arrogantes e presunçosos nada trazem ao bem comum. Nada se parecem com os gênios do pensamento que realmente trabalharam muito duro para nos ensinar o respeito e o valor da luta pela igualdade. Ensinaram o valor da solidariedade pra nós da classe "mérdia" tão sofrida, para os pobres ainda mais sofridos e para os ricos que gozam o paraíso da terra: alguns entenderam… outros não.

A vaidade de quem "fala línguas", de que nos servirá? Eis a última atribuída ao "mestre" Pondé:
"Detesto aeroportos e classes sociais recém-chegadas a aeroportos, com sua alegria de praças de alimentação...".

Pondés: melhor do que chorar por eles é rir deles ->



Ama a vida e segue!
@galldino