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"Acuso": você é PROMÍSCUO!


Perguntei pra várias pessoas, numa mini-pesquisa, o que elas achavam da promiscuidade. Quase cem por cento afirmou ser contrário a palavra. É, a palavra. Mas, pela prática, não ao conceito por detrás dela, parece-me.    
Se promiscuidade é mistura, confusão e desordem (como ensina o dicionário) ou a multiplicidade de parceiros (no caso) sexuais, quem não será promíscuo nos nossos dias?
Pelo que cotam nossos avós, se voltarmos no tempo alguns parcos anos veremos que a maioria das pessoas tinha, ao longo de toda vida, um único parceiro sexual. Os homens (aqueles que podiam sustentar tal luxo) iam um pouco além, verdade.
Aliás, vem deste último fato citado, realidade cultural e patriarcal, o mito enfadonho defendido por muitas que garantem certa “natureza” vilã no homem. Ledo engano. Dois dados recentes pra gente degustar:
1)      Um estudo científico negou a teoria (de 1948, concluída a partir de pesquisa com moscas de frutas, veja só, por Angus Batema) da promiscuidade natural no homem: eles e elas, no ocidente, têm o mesmo número de filhos e parceiros, em média, na vida, comprova a pesquisa (com pessoas, desta vez. Ufa).
2)      Casos de traição feminina aumentam ao passo que casos masculinos vão diminuindo: de 8.200 entrevistadas em dez capitais brasileiras, praticamente metade das mulheres (49,5%) revelou ter relações extraconjugais.
Fim do mito? Combinemos então: homens e mulheres - dêem poder e liberdade (e um lugarzinho no qual “ninguém possa ver”) que eles os usarão da forma mais sem-vergonha. Fato. Triste fato!
Agora, de volta a promiscuidade em si, me diga: um parceiro sexual na vida toda, alguém aí se habilitaria a isso hoje? Não valem beijinhos (nem no rosto), “amassos” e “ficações” recreativas. Alguém, alguém?
Claro que não. Um namoro nos nossos dias (e isso envolve sexo, evidente) não tem vida longa: seis meses, um ano... Moças e moços têm parceiros a partir de bem cedo e seguem experimentando mesmo depois de casados, como já vimos. Só conheço um nome pra se encaixar confortavelmente aí (foi trocadilho, desculpe): PROMÍSCUOS!  
Na nossa cultura pós-moderna da independência e da liberdade de escolhas (por obra e graça de muita luta valorosa) a promiscuidade é um fato quase que obrigatório e todos se laçam com “usura e volúpia” aí: mãos, pés, nádegas... Corpos inteiros.
Então, por qual razão a galerinha se "assusta" e se "ofende" diante da palavra reveladora de nosso pecado tão visível em “baladinhas” e academias da moda? Talvez pela herança cristã ou pelo velho e "bom" falso moralismo. Talvez?
Há que se entender a si mesmos, isso sim. Se arriscar na pesquisa de nossos valores. Ousar em ser o que exigimos que sejam pra nós. Crer no indivíduo até que sua culpa seja provada, se culpa houver. Homem. Mulher. Gente: bicho complicado.
É simples também: liberdade requer olhar bem direto na imagem reproduzida no espelho. Decifrar e aceitar o que se nos mostra para podermos, se quisermos de fato, moldá-la. Ou então, saboreá-la como é. Afinal, não há nada errado a priore. É o foco que define a visão. A moral é também uma questão de escolha.

Façamos as nossas com coerência e vamos viver sem culpa nem culpados. Sem remorsos nem magoados. Sem medos nem amedrontados. Coerentes. Corajosos. Completos.
Ponderar também na opinião de Fiodor Dostoievski pode ser um bom contraponto: "A falta de liberdade não consiste jamais em estar segregado, e sim em estar em promiscuidade, pois o suplício inenarrável é não se poder estar sozinho". Atual, mas inaplicável... já que você é incorrigivelmente PROMÍSCUO!

Mais: reflita sobre liberdade com Jean-Paul Sartre:
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