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VÍDEO DO DIA

Timidez (3a. e 4a. partes)



Você me viu...

Exatamente quando os imorais raios, por sua parte, faziam aquele balé matutino e esgueiravam-se sobre a sua pelugem delgada e rósea, contornando as orelhas translúcidas, os cílios ao derredor dos olhos musgos, as narinas e, finalmente, os lábios... aqueles lábios...

Lábios que assumiam o devido relevo e altissonância de torpor sensual e voluptuoso.

Quando o mesmo clarão diáfano corria seu pescoço ávido, em meus delírios, de minhas presas gananciosas e esbarrava na roupa atrevida e indigna de cobrir, insidiosamente, as setas pontudas e histriônicas: mamas que conluiavam e se concluíam cruelmente no que minha mente tolamente supunha reproduzir, deduzir, adivinhar...

Quando meu cio aos seus poros colava e realçava os frêmitos deste meu peito exasperado e descompassado à beira de um penhasco de delírios descomunais: os pés, soltos no ar, e aquele chão que não vinha; aquele choque terrível que não aniquilava nunca; aquele frio percorrendo da barriga à cabeça, da cabeça à espinha, da espinha à alma minha.

Quando, qual magia, você posta diante de mim, ao meu alcance ainda que numa redoma intransponível, preservada inteiramente em si, viu-me desvendar nitidamente o que apenas, até então, deduzi:

Nos percebemos.

Agora eu sei que todas as outras poderiam se lançar no Vesúvio em plena erupção. Poderão.

Agora me é claro que todas as outras eram arremedos ridículos de uma mera displicência sua; fantoches de algum deus gaiato. E você sempre esse ser universal: pasmando, compondo e decompondo todos os sentidos. Essa ilha num oceano de profundas águas belas, de mistérios colossais e certezas infinitesimais.

Agora entendo a razão pela qual as letras dos meus livros, das minhas revistas, dos meus jornais teimam em se reordenar para escrever seu nome diante destes olhos lacrimais... lacrimais... lacrimais...

que nada mais consigo enxergar: seu nome seu nome seu nome!

Sua razão: Isabella. Ela, Belinha.

Essa palavra sobrenatural: a natureza que ainda não podemos, não queremos, não devemos nem ousamos admitir. Um anjo-demônio, único capaz do vil-encantar. Enquanto os outros, tão certinhos errantes, se evaporam pelo ar.

Leia mais: 5a. e 6a. partes!

Ama a vida e segue!
@galldino