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VÍDEO DO DIA

Quer mesmo que lhe abram uma porta?

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Resumo e adaptação que fiz de um número especial da revista cult sobre a condição da mulher ao longo da história.
O texto original é de filósofas brasileiras. Vejam a ficha técnica no final do vídeo.


O iluminismo no século XVIII elaborou a "universalidade do ser humano". Porém, excluiu daí a representatividade da mulher. Ela era julgada como inapta e incapacitada para o conhecimento, o saber e a reflexão. Usavam como justificativa disso a sua "natureza maternal e sensível". Assim, a cultura confinava a mulher numa suposta "segurança" dentro dos lares sob a “proteção” do macho provedor e "sábio".


Fica claro então, como a filosofia se desenvolvia, nesse contexto, de forma patriarcal: coisa de homem.

Foi o feminismo, uma corrente do pensamento revolucionário, que procurou desconstruir essa dura realidade, subvertendo aqueles valores consagrados que traziam a ideia infeliz de que homens e mulheres eram seres naturalmente opostos, não levando em conta a força cultural que submetia a mulher numa condição na qual sua "real natureza" jamais poderia vir à tona. A "natureza" ali era a que, de fato, seria possível dentro das imposturas históricas que submetiam a dignidade da mulher.

Foi Simone de Beauvoir quem questinou, em 1949, que a ideia de "feminino" era uma construção do homem e não uma realidade em si.

Nas religiões, por exemplo, deus surge sempre como um parâmetro "masculino" enquanto a  mulher é mantida num papel de completa submissão. Ali a opressão delas e os privilégios deles eram legitimados como sendo a "vontade divina": eles podiam ser livres; elas, por outro lado, eram "culpabilizadas" pela sua sexualidade: a serpente, a tentação, o pecado...
As histéricas, fruto dessa crueldade, eram vistas como "degeneradas", "pervertidas", "perigosas" e "sedutoras". Mas Freud abriu olhos e mentes ao constatar que esses eram sinais de que a mulher não suportava tantas amarras e imposições.


Em seguida o psicanalista Lacan, revelaria o declínio do "masculino" dentro da família. O homem perdia sua força diante duma mulher que tomava seus espaços. É quando surge o sentido plural e difuso do prazer sexual feminino com suas infinitas possibilidades e simbolismos.



A descolonização da mulher é um grande processo na história humana. Ainda vemos e sentimos a herança da intolerância contra elas até em termos como "vadiae outros que tais usados e abusados para condenar a livre escolha de sua condição sexual. Ainda assistimos casos de violência física contra milhares de mulheres que “ousam” abandonar uma relação, que “ousam” experimentar sua liberdade e descobrir sua própria natureza.

Ainda é assustador.


Pessoalmente, espero que abram as portas, mas aquelas que darão dignidade à todos os seres humanos, especialmente aos do sexo feminino tão perseguido, com suas semelhanças e distinções. Afinal, a coisa toda vai bem além de dar flores num dia do ano...

Acredito que elas dirão qual deva ser a real homenagem. Pode ser algo que chocará os idealizadores da “castidade” feminina...pode ser que não também...

Apenas me calo, respeito e acato as escolhas individuais. Somos todos um!

Veja:



Ama a vida e segue!