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VÍDEO DO DIA

NovIDaDe (autor: Galdino)


(sobre Cirandeiro)


















nãosurpresas no mundo.
Todas as
palavras foram ditas e reeditadas.
Combinadas e reinterpretadas.

A
luz foi descoberta; as sombras e contrastes entraram nas gravuras.
As
imagens viraram rascunhos, desenhos. Foram copiadas, manipuladas e revistas.

As
canções ganharam formas, formatos e compressões até se transformarem em códigos binários de mp3.

Os
sons em suas ondas foram descritos e inscritos à perfeição da pauta, materializando a onda em sua curva senoidal.

As
angústias receberam nomes, foram catalogadas e encadernadas nas brochuras da reminiscência; jogadas em recônditos agônicos; mimetizadas e nomeadas comopsiquismos”, “Ids”, “egos”...

Os
sábios se calaram ante o conhecimento pífio dos especialistas.


Finalmente, a história acabou. Morreu. Foi contada. Desencantada.

O
tempo passou. O ser secou: já não havia novidades no mundo.


***

Porém, súbito surge àquela figura,
Aquele pequeno emaranhado de dúvidas e emoções.

Combinação genuína da genética, da psiquê, da alma, do ser.
O
descomunal e escandaloso indivíduo em suas idiossincrasias.
Uma
simples e definitiva negação do óbvio e do acabado:
A
pessoa, dentre todas as outras desse mundo de bilhões, existe!

Vida renovada. Revivificada.

A
dúvida que espreitava para nos esperançar reivindica nossos olhos.

Olhar, palavra que redunda toda poesia é outra vez prima-dona:

nunca falada nem ouvida.

Insondável, o amor revela o outro: nossa ignorância.
Doravante, impreciso, nada mais será preciso.

Tudo é misterioso, novo e belo pra quem tem alguém para amar.


***


(reg: http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/ )

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