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VÍDEO DO DIA

"É" (autor: Galldino)


(sobre "Panapaná")

Fosse o amor sem medo ou enredo
Fosse fundo, fosse infindo
Sem brio, fosse febril
Teso e rotundo
Contínuo e fecundo.
Contínuo e fecundo
***
Fosse o amor sem dono nem dano
Fosse sem rumo, sem ramo
Posse, fosse desterro
Alvo e seta
Sem medo nem meta
Sem medo nem meta
*
Fosse, nem amor seria...
*

Duvide do olho clinicando a paixão
Desvendando por entre a fresta onde o frágil se agacha e secreta
Desconfie do caolho rejeitando um calor abdicado
Não expondo à fera seu avesso, seucoitado
Duvide do ser opaco festejando a frieza forte e decidida
Destilando tédio ante o amante arfante e suplicante

De confuso, aquele soberbo acabrunhado por tamanha bravura,
Vai mijar na flor cândida e dúlcida que amar ressuscita
Lamberá a dúvida corcunda; a miséria desdita:
Entorpecido, devorará a cabeça pela calda canhestra e maldita.

**

Desconfia dos jardins, ave cambaleante,
Viandante nudez que em fogo crepita
Borboleteie sem duvidar do pólen em que o vento credita

***

Fosse, nem seria:
Amor apenas “É”!
*
Panapaná:
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